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Diálogos Sobre Inclusão

Hoje estava caminhando pelos corredores do mercado e vendo quantas coisas gostosas tinham as prateleiras. Por vezes, salivava, o cheiro da carne crua, me remetia aos tempos de menino. Por um minuto, viajei 16 anos, naquela época... que eu pedia "mãe! posso pegar uma bolacha?". Tempos difíceis... bolacha, só na compra de início de mês. Com isso, fui aprendendo a ser grato. Na escola usava o uniforme dos anos anteriores da minha irmã mais velha, para sair, usava a roupa de segunda mão que os primos doavam. Voltei da viagem, olhei para as prateleiras e outro pensamento me veio "neste momento, milhares de crianças brasileiras na linha da miséria" Eu jamais cheguei a tal ponto, mas da janela do carro, olho o menino, a bala no retrovisor, o suor escorrendo pelo rosto... Por vezes me pego pensando, eu já fui esse menino. Fui servente de pedreiro, entregador de água, empacotador na casa de ração, aprendiz de eletricista... E é por isso que eu acredito que a educação pode (trans)formar o mundo. Se não fosse o espaço da escola e meus professores que sempre me ajudaram, eu ainda seria o menino, a bala no retrovisor e o suor no rosto, porque é esse o destino dos meninos do pé do morro.

Daniel Novaes 22.06.2018

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